74 anos do Moçambique Mamãe do Rosário: tradição que atravessa gerações – Por Lucas Machado

O encontro reuniu fiéis, devotos e congadeiros que, juntos, celebraram a história e a força espiritual que mantém viva essa tradição.

(Foto: Lucas Machado – @LucasMachadoFotografo)

Na noite desta quinta-feira (21), a Igreja do Rosário foi palco de um momento especial de devoção: a reza do terço em comemoração aos 74 anos do Moçambique Mamãe do Rosário, um dos ternos mais emblemáticos da Festa do Rosário em Catalão. O encontro reuniu fiéis, devotos e congadeiros que, juntos, celebraram a história e a força espiritual que mantém viva essa tradição.

O terno foi fundado em 21 de agosto de 1951 por Gabriel Gustavo da Silva, juntamente com seus pais, Padrim Gustavo, ao lado de sua mãe, Mãe Sinhana, de irmãs, tios e primos. Na época, recebeu o título de Moçambique dos Solteiros, em contraponto ao Moçambique dos Casados, formado por senhores mais velhos.

Com o passar do tempo, o grupo foi ganhando novos capitães. O fundador Gabriel Gustavo se tornou general da Festa do Rosário até sua morte, sendo sucedido por nomes como Geraldo Dias, Simone Alves e, posteriormente, Diogo Gonçalves de Resende, convocado pelo capitão Geraldo em virtude de enfermidade. Hoje, o Moçambique Mamãe do Rosário é conduzido por Diogo Gonçalves de Resende, Mateus Alves, Fabrício Alves e Clayton Cândido, com o apoio dos ajudantes, “atrevidos”, Delcimar Alves e Rian.

Atualmente, o terno reúne cerca de 250 componentes, que vestem com orgulho o fardamento branco, azul e rosa, cores que já se tornaram símbolo de fé e resistência. O Moçambique carrega consigo uma trajetória marcada por luta, devoção e a missão de manter viva a espiritualidade do Congado, difundindo o Rosário Sagrado por onde passa.

Em entrevista, o capitão Diogo Gonçalves de Resende destacou o papel coletivo do grupo: “O Moçambique Mamãe do Rosário é uma família. Cada integrante é importante, cada criança que entra com a gente, cada idoso que continua firme, todos são parte dessa história. Nossa missão é manter viva a fé e passar essa tradição para as próximas gerações, sempre com amor e respeito à Virgem do Rosário.”

Mais do que números, uniformes e bandeiras, o Moçambique Mamãe do Rosário é feito de histórias, de famílias inteiras que se dedicam a cada ensaio, a cada canto e a cada passo. Para mim, como fotógrafo e testemunha dessas manifestações, é impossível não reconhecer o valor imensurável desse terno para a cultura de Catalão. O Moçambique Mamãe do Rosário é um exemplo de resistência, fé e identidade, que merece ser celebrado e eternizado em cada imagem, em cada registro e na memória de todo o povo.