Operação Escobar desmantela quadrilha de tráfico e lavagem de dinheiro em Uberlândia

Ação conjunta do MP, PM e Polícia Civil resulta em oito prisões, apreensão de drogas, veículos de luxo e dinheiro em espécie; grupo mantinha rede organizada de tráfico e ocultação de patrimônio

Imagem: Divulgação/MPMG

A manhã desta quarta-feira (25) foi marcada por uma ofensiva de impacto contra o crime organizado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Com a deflagração da Operação Escobar, uma força-tarefa composta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) — por meio do GAECO Uberlândia e da 9ª Promotoria de Justiça —, Polícia Militar, Polícia Civil e o Núcleo de Inteligência Criminal da PMMG desarticulou uma organização criminosa especializada em tráfico de drogas, armas e crimes financeiros como lavagem de capitais.

Durante o cumprimento de 24 mandados judiciais — sendo 11 de busca e apreensão, 10 de prisão e 3 de sequestro de veículos — a operação resultou na prisão de oito pessoas, sendo quatro delas em flagrante. Segundo as investigações, o grupo operava uma estrutura sofisticada, utilizando pontos de venda estratégicos e disfarçando o lucro do tráfico com bens de alto valor e movimentações financeiras suspeitas.

O saldo da operação impressiona pela quantidade e diversidade dos itens apreendidos:

  • R$32.638,00 em espécie
  • US$66 em moeda estrangeira
  • Drogas: barra de maconha, 85 papelotes de cocaína, 12 buchas de flor de maconha e 19 comprimidos de ecstasy
  • 01 arma de pressão
  • 10 celulares, 1 MacBook, 1 relógio Rolex e 1 corrente de ouro com pingente
  • Documentos bancários, comprovantes de transferência, cheque e certificados
  •  Veículos de luxo: uma Land Rover Discovery, um Porsche, uma Nissan Frontier
  • Duas motocicletas — incluindo uma BMW e uma com registro de furto/roubo, recentemente recuperada
  • 01 DVR de monitoramento

O cerco à quadrilha envolveu um efetivo robusto, com 48 policiais militares, 16 policiais civis, dois promotores de justiça e servidores do Ministério Público, além do apoio aéreo de uma aeronave da PM.

A operação revela não apenas a atuação violenta e estratégica do grupo, mas também sua tentativa de aparentar uma rotina legal com ostentação de bens e movimentações financeiras irregulares — características comuns em esquemas de lavagem de dinheiro. O nome “Escobar” remete diretamente ao narcotraficante colombiano Pablo Escobar, o que, segundo fontes do MP, não é por acaso: a quadrilha mantinha ramificações e logística organizada em moldes semelhantes aos de cartéis.

As investigações seguem em andamento, com análise do material apreendido e rastreamento de movimentações bancárias que possam revelar o alcance real da rede criminosa.

A expectativa é que novas fases da operação sejam deflagradas nos próximos meses. O objetivo, segundo o Ministério Público, é desestruturar completamente a organização, atingindo desde os operadores de rua até os responsáveis pela lavagem do dinheiro gerado pelo tráfico.