Vereador de Uberlândia é acusado de desviar mais de R$ 78 mil de verba pública destinada a pacientes com câncer

Segundo o Ministério Público, Edinho do Combate ao Câncer usou notas fiscais frias para simular compras em associação da qual é presidente

(Foto: Reprodução /Regionalzão)

O vereador Edinho do Combate ao Câncer, de Uberlândia (MG), está sendo acusado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) de desviar cerca de R$ 78,6 mil em recursos públicos. O valor, segundo a investigação, foi retirado irregularmente de uma emenda parlamentar destinada à Associação de Assistência aos Portadores de Câncer do Triângulo Mineiro — entidade que o parlamentar fundou e preside. A denúncia foi divulgada pelo site Paranaíba Mais.

A apuração, conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça de Uberlândia, revela que a fraude ocorreu após o repasse de R$ 120 mil em emendas parlamentares em 2024. De acordo com o promotor Daniel Marotta Martinez, que atua no caso em substituição legal, a associação teria simulado a compra de materiais hospitalares por meio da emissão de cinco notas fiscais. Apenas uma delas correspondeu à entrega real de produtos.

O esquema, segundo o Ministério Público, envolveu um comerciante do setor hospitalar, proprietário da empresa RC Saúde Hospitalar MG Ltda, registrada no nome da filha do empresário. A associação repassou R$ 101.612,50 à empresa. Deste total, apenas R$ 9 mil teriam sido usados em uma compra legítima, e R$ 14 mil foram destinados ao pagamento de tributos. O restante, cerca de R$ 78,6 mil, teria sido devolvido a Edinho em espécie.

Parte do dinheiro, R$ 23.500, foi entregue ao vereador por uma funcionária da empresa, segundo o MP. O valor restante foi supostamente guardado em uma caixa dentro de um guarda-roupa do comerciante e retirado por Edinho pessoalmente no dia seguinte.

Com base no inquérito civil, o Ministério Público ajuizou uma ação por improbidade administrativa, alegando que os recursos desviados deveriam ter sido aplicados em ações assistenciais voltadas a pacientes com câncer. A Receita Estadual também colaborou com a investigação e constatou que quatro das cinco notas fiscais emitidas pela empresa não possuem registro de entrada de produtos.

A reportagem entrou em contato com o vereador Edinho do Combate ao Câncer, que até o momento não se posicionou sobre as acusações. O caso segue em investigação.