Fim de semana de ensaios: um giro pelas congadas de Catalão – Por Lucas Machado

A primeira visita foi ao Terno de Congo Prego, um dos grupos que guardo no coração

(Fotos: Lucas Machado – @LucasMachadoFotografo)

Neste fim de semana, tive a alegria de acompanhar e fotografar três ensaios das Congadas de Catalão. A primeira visita foi ao Terno de Congo Prego, um dos grupos que guardo no coração. Ver o senhor Elzon presente, firme, mesmo enfrentando as dificuldades da idade, mas com a devoção intacta, foi uma cena que aqueceu a alma.

Nesse dia, recebi também as palavras emocionadas de Fábio, amigo querido e referência na tradição das congadas, que compartilhou seu sentimento no primeiro ensaio do ano:

“Sou dançador do Terno Prego há mais de 40 anos. Estou nervoso, com a ansiedade a mil, porque vocês sabem… estamos começando hoje. Ao longo de agosto, setembro e até outubro, para mim, é só alegria: louvar Nossa Senhora, rever meus amigos e fazer parte dessa festa maravilhosa. É uma sensação indescritível. Não tem como explicar o que estou sentindo hoje. No momento, a ansiedade é muito grande. E a felicidade… nem se fala! Estou muito feliz de estar aqui, de fazer parte da Irmandade do Rosário, de dançar congo, bater caixa e louvar Nossa Senhora.”

Outro instante que me tocou profundamente foi o gesto da Dona Maria Cleusa, que me presenteou com um “capacete” simbólico do Terno de Congo Prego. Junto dele, recebi um pedaço vivo da história e da fé que tanto admiro. Não contive as lágrimas, emocionado e grato por tudo o que tenho vivido nas congadas de Catalão.

O ensaio foi marcado também pelo levantamento da bandeira de Nossa Senhora do Rosário, um momento simbólico e carregado de significado para todos os presentes.

A segunda parada do dia foi no ensaio do Terno Catupé Azul, no bairro São José. Energia não faltou — dançadores e músicos mostraram que estão prontos para mais um ano. Nos intervalos, a festa continuava: rodas de improviso com cantos e sanfona faziam todos dançar, arrancando sorrisos e recuperando o fôlego para mais coreografias, batidas de caixa e pandeiro.

Encerrando o roteiro, fui ao ensaio do Terno Catupé Branco, que reuniu uma multidão. As danças eram firmes e sincronizadas, acompanhadas por cantos fortes, entoados em coro. Entre os presentes, estavam vários capitães e outros ternos e os festeiros Luiz Gustavo e Samara, que foram cumprimentados por todos do terno.

É reconfortante ver a congada unida, movida por um amor simples, livre de interesses, sustentada pela fé e pela cultura que resistem e se renovam a cada batida de tambor.

Confira abaixo fotos de Lucas Machado – @LucasMachadoFotografo: