Dirigente de 67 anos foi afastado preventivamente pela Confederação Brasileira de Karatê; vítima relata trauma e diz que “não vai se calar”

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga uma denúncia de importunação sexual contra o presidente da Federação Mineira de Karatê, Milton Francisco Coelho, de 67 anos. O caso teria ocorrido em 14 de agosto, durante o Campeonato Brasileiro de Karatê, realizado em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
A denúncia foi feita por uma mulher de 47 anos, que prestou depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) e registrou boletim de ocorrência. Segundo o relato, após se sentir mal na competição, ela aceitou uma carona de Milton até a entrada da arena. No caminho, o dirigente a teria convidado para conhecer a sede da federação. No local, ainda de acordo com a vítima, ele trancou a porta, exibiu vídeos pornográficos, a tocou e fez propostas sexuais.
Em entrevista, a mulher disse viver um trauma profundo. “Eu confiava nele. Jamais imaginaria passar por isso. Ele fez um horror comigo. Mas não vou me calar, vou até o fim”, afirmou. Segundo seu advogado, Lincoln Amaral, ela está medicada e enfrenta dificuldades para dormir e se alimentar. O defensor cobra uma apuração rápida e alerta para que o caso não seja banalizado, pois isso pode desestimular outras mulheres a denunciar.
Afastamento preventivo
Diante da gravidade da denúncia, a Confederação Brasileira de Karatê (CBK) publicou a Resolução nº 05/2025, determinando o afastamento imediato de Milton Francisco Coelho tanto da presidência da federação mineira quanto do Conselho Deliberativo da CBK. A medida será mantida até a conclusão das investigações. O primeiro vice-presidente assumiu a gestão interinamente.
A Federação Mineira de Karatê informou que tomou conhecimento do caso no dia seguinte ao ocorrido e enviou um relatório à confederação. A entidade ressaltou que a apuração cabe à CBK, já que o evento era de âmbito nacional. “É uma denúncia grave, mas é uma denúncia”, declarou a federação, acrescentando que eventuais punições esportivas só serão avaliadas após a conclusão do processo.
Versão da defesa
O advogado de Milton, Rodrigo Santana Assunção, afirmou que ainda não teve acesso aos autos do inquérito, que corre em segredo de justiça. Ele disse que as acusações são “infundadas” e que seu cliente nega categoricamente os fatos. A defesa declarou confiar no trabalho da Polícia Civil e acredita que a inocência do dirigente será comprovada ao fim da investigação.











