Funcionário de frigorífico é preso em Araguari por furtar pedras de cálculo biliar bovino avaliadas em até R$ 78 mil

Crime inusitado chocou a cidade; material raro é usado na medicina tradicional asiática e movimenta mercado milionário

Um crime inusitado chamou atenção em Araguari (MG) na manhã desta sexta-feira (22). Um funcionário de 38 anos de um frigorífico foi preso em flagrante pela Polícia Militar suspeito de furtar pedras de fel bovino, também conhecidas como cálculos biliares, que podem alcançar valores milionários no mercado internacional.

Durante a ação, uma das pedras apreendidas, pesando 87 gramas, foi avaliada em R$ 78,3 mil. O material é extremamente raro e pode custar até R$ 900 por grama, sendo amplamente utilizado na medicina tradicional asiática em países como China, Japão e Coreia, para o tratamento de convulsões, febres e desmaios.

Segundo a Polícia Militar, o suspeito foi flagrado por colegas de trabalho enquanto tentava descartar parte do material furtado. Outras pedras estavam escondidas em seus pertences pessoais. As investigações indicam que não seria a primeira vez que ele comete o crime, e imagens e conversas encontradas apontam para uma possível rede de receptação na cidade.

O homem recebeu voz de prisão e foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, onde permanece à disposição da Justiça. Já as pedras apreendidas foram devolvidas à empresa, que colabora com as investigações.

Por que o cálculo biliar bovino é tão valioso?

Essas pedras se formam a partir do acúmulo de sais e cálcio na vesícula biliar de alguns bois, geralmente os mais velhos, e são descobertas no momento do abate. Segundo a pesquisadora Daniela Gomes da Silva, da Unesp:

“As vesículas biliares são retiradas e, em seguida, o conteúdo é peneirado para verificar a presença de cálculos. Por serem raros, esses materiais se tornam extremamente valiosos para a medicina tradicional asiática.”

Devido ao alto valor, os cálculos biliares são frequentemente alvo de contrabando e tráfico internacional, movimentando centenas de milhares de reais por lote.

A Polícia Civil segue investigando a participação de outros possíveis envolvidos e não descarta novas prisões nos próximos dias, reforçando o combate a crimes envolvendo produtos de alto valor no mercado clandestino.