Morte de Marília Mendonça completa 4 anos hoje (5); cantora foi vítima de acidente aéreo em Minas Gerais

Fenômeno do sertanejo morreu aos 26 anos, em novembro de 2021, após avião em que estava cair em Piedade de Caratinga; investigação apontou erro da tripulação

(Foto: Divulgação / Marília Mendonça)

Há exatos quatro anos, o Brasil perdia uma das maiores vozes da música sertaneja. A morte de Marília Mendonça, aos 26 anos, em um acidente aéreo em Minas Gerais, comoveu o país e deixou uma legião de fãs órfãos da cantora, que se consagrou como “rainha da sofrência”.

Na tarde de 5 de novembro de 2021, o avião bimotor em que Marília viajava caiu em um curso d’água próximo à rodovia BR-474, na cidade de Piedade de Caratinga, no Vale do Rio Doce. Além da artista, morreram o produtor Henrique Ribeiro, o tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho, o piloto Geraldo Martins de Medeiros e o copiloto Tarciso Pessoa Viana.

Avião com cantora Marília Mendonça cai em Minas Gerais — (Foto: Reprodução)

Marília seguia para Caratinga, onde faria um show naquela noite. O local da queda ficava a cerca de três quilômetros do aeroporto onde o bimotor deveria pousar. Em um primeiro momento, a assessoria da cantora chegou a informar que ela estava bem, mas o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou, pouco depois, que não houve sobreviventes.

A cantora deixou o filho Léo, que tinha 1 ano na época e hoje está com 5, fruto do relacionamento com o cantor sertanejo Murilo Huff.

Investigação apontou erro humano

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu, dois anos após o acidente, que a queda foi provocada por falha humana da tripulação. Segundo o inquérito, o piloto e o copiloto não respeitaram os procedimentos de aproximação para pouso e colidiram em cabos de uma torre de energia da Cemig.

As torres estavam fora da área de segurança do aeroporto, e, por isso, não havia obrigatoriedade de sinalização. No entanto, de acordo com o relatório, a existência delas estava registrada em cartas aeronáuticas que a tripulação deveria ter consultado antes do voo.

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) também descartou falha mecânica e apontou possível “avaliação inadequada” dos pilotos. As hipóteses de mal súbito, intoxicação por drogas ou álcool e atentado foram todas excluídas pelos peritos.

Como piloto e copiloto morreram no acidente, o caso foi arquivado pela Justiça por extinção de punibilidade.

Fãs mantêm viva a memória da “rainha da sofrência”

Túmulo de Marília Mendonça ganha homenagem de fãs, em Goiânia, Goiás — (Foto: Gustavo Cruz / g1)

Mesmo quatro anos após a tragédia, o nome de Marília Mendonça continua entre os mais lembrados do sertanejo. Perfis de fãs nas redes sociais seguem ativos e ajudam a manter viva a memória da cantora, com fotos, vídeos e homenagens diárias.

No Instagram, o perfil “Marília Mendonça RMM”, que soma mais de 800 mil seguidores, publicou um vídeo nesta semana com o título “POV: 05 de novembro”, lembrando o dia do acidente. A publicação traz imagens da artista e um trecho da música “10 de Setembro”, parceria com Maiara e Maraisa:

“Vou dormir mais cedo pra não ver o amanhã chegar / Sei lá, tô com medo desse dia demorar a acabar.”

Em Senador Canedo (GO), o fã Mário Fernando de Sousa, de 23 anos, criou o perfil “Marília Mendonça Goiás”, em homenagem à cantora. Ele conta que acompanha a trajetória de Marília desde 2015, quando ouviu pela primeira vez a música “Impasse”.

“Ela me inspira até hoje. Eu canto como hobby, e o amor pelas músicas dela só aumenta. Minhas preferidas são ‘Graveto’ e ‘Estrelinha’”, disse.

Outros perfis, como o “Súditos da Marília”, também seguem promovendo o legado da artista e divulgando os lançamentos póstumos. Desde sua morte, foram lançados três volumes do álbum “Decretos Reais”, além da canção “Segundo amor da sua vida”, divulgada no mês passado.

A mãe da cantora, dona Ruth Moreira, participa ativamente dessas homenagens e campanhas de divulgação. Em vídeo recente publicado por fãs, ela reforçou que “o trono segue intacto, e nele Marília reinará para sempre”.

De compositora precoce a fenômeno nacional

(Foto: Reprodução)

Nascida em Cristianópolis (GO) e criada em Goiânia, Marília Mendonça começou a compor aos 12 anos e logo se destacou nos bastidores do sertanejo. Foi autora de sucessos gravados por artistas como Henrique & Juliano, Cristiano Araújo e Jorge & Mateus.

Entre seus maiores hits estão “Infiel”, “Supera”, “Ciumeira” e “De Quem É a Culpa” — músicas que se tornaram hinos do chamado “feminejo”, movimento que deu protagonismo às mulheres em um gênero historicamente dominado por homens.

Marília Mendonça se tornou símbolo de força, autenticidade e talento precoce. Quatro anos após sua morte, sua voz continua ecoando nos palcos e nas playlists de milhões de brasileiros.