Forças policiais e órgãos de proteção intensificam ações após mapeamento de pontos suspeitos de prostituição e tráfico; menor de 16 anos foi encontrada em condições insalubres

Uma operação integrada realizada entre a noite de quinta-feira e a madrugada desta sexta-feira (7) mobilizou diversos órgãos de proteção à infância em Araguari (MG) e resultou no resgate de uma adolescente de 16 anos, encontrada em condições precárias e associada a um cenário de exploração sexual e tráfico de drogas. A ação, considerada de alta complexidade, é a segunda operação do tipo realizada no município apenas neste ano. Outro trabalho semelhante já havia ocorrido no início de 2025.
Coordenada pelo Comissariado da Infância e Juventude, com apoio da Polícia Federal do Núcleo Regional de Uberlândia, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e Conselho Tutelar, a força-tarefa visitou motéis, casas de prostituição, pontos às margens da rodovia e estabelecimentos comerciais dentro da cidade.
Segundo o oficial judiciário Alencar, que acompanhou as equipes durante a operação, os locais inspecionados já vinham sendo monitorados com base em denúncias anônimas e recorrentes. “São pontos em que existe suspeita de exploração, e o Comissariado tem feito um acompanhamento constante. Durante a ação, encontramos uma menor de 16 anos, oriunda do Pará, sem estudar, morando com um homem de 25 anos em um local insalubre, já conhecido por denúncias de prostituição e tráfico de drogas”, relatou.
A adolescente foi encaminhada imediatamente a um abrigo, e um processo foi aberto junto à Vara da Infância e Juventude. O adulto que a mantinha sob sua guarda irregular foi intimado ainda na madrugada e terá dez dias para constituir advogado e apresentar defesa. O caso será encaminhado à juíza responsável já na segunda-feira.
Rede de denúncias ignoradas e o medo da população
As denúncias anônimas têm papel central no combate à exploração infantil, mas ainda encontram resistência entre moradores que “sabem” o que ocorre, mas preferem se omitir, segundo Alencar. Ele destacou que há três canais oficiais para recebimento de denúncias: o Fórum, a Promotoria da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar. Todas podem ser realizadas pessoalmente ou por telefone e são mantidas sob sigilo absoluto.
“Temos vários processos na Vara da Infância envolvendo pedofilia, exploração e abuso. A investigação é contínua. Às vezes o tempo fortalece a denúncia, porque prova recorrência e nos permite agir com mais precisão. Porém, quando a população se cala, fica mais difícil quebrar o ciclo de violência”, explica o oficial.
Operações deverão se repetir
Os órgãos envolvidos afirmam que as operações continuarão ocorrendo com frequência, especialmente em áreas onde há histórico de denúncias. O objetivo é interromper redes de exploração, mapear responsáveis e ampliar a segurança de crianças e adolescentes em situação vulnerável.
A orientação às famílias e moradores continua a mesma: denunciar sempre, mesmo que a suspeita pareça pequena. “O silêncio também é uma forma de violência”, reforça Alencar.











