Menino de 8 anos é vítima de injúria racial durante campeonato infantil em Uberlândia

Duas mulheres foram presas após ofenderem o jogador com insultos racistas durante partida da Copa Uberlândia de Futebol Infantil, na Vila Olímpica; justiça concedeu liberdade provisória nesta segunda-feira (10)

Mulheres são presas por ato de injúria racial contra menino de oito anos e homem em campeonato de futebol society em Uberlândia — Foto: Reprodução

A Polícia Militar registrou uma ocorrência de injúria racial durante uma partida da Copa Uberlândia de Futebol Infantil, realizada no fim de semana, na Vila Olímpica, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O caso envolve um menino de 8 anos, que, segundo relatos, foi alvo de ofensas de cunho racista vindas da torcida adversária.

De acordo com o boletim de ocorrência, as ofensas foram proferidas por duas mulheres que acompanhavam o time oponente. Elas teriam chamado o atleta de “macaco feioso” e “pobre favelado preto” no momento em que ele se preparava para cobrar um pênalti. Um homem, que seria pai de outro jogador, também foi insultado com os termos “macaco preto” e “pobre da roça”.

Com a continuidade dos xingamentos, familiares do menino e torcedores se exaltaram, gerando uma discussão generalizada nas arquibancadas. Seguranças intervieram para evitar agressões físicas até a chegada da Polícia Militar. As suspeitas foram conduzidas para uma sala reservada e, posteriormente, encaminhadas à delegacia.

As duas mulheres, de 31 e 38 anos, negaram as acusações e alegaram que as ofensas se limitaram a “discussões de jogo”. Segundo elas, o desentendimento teria ocorrido por causa da conduta dos jogadores do time adversário, que estariam “batendo muito” em campo. Apesar da negativa, a prisão em flagrante foi confirmada pelo delegado de plantão.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) informou que as suspeitas foram levadas para a Penitenciária Professor Pimenta da Veiga na manhã desta segunda-feira (10). No entanto, uma decisão judicial publicada por volta das 11h concedeu liberdade provisória às duas, com base nos bons antecedentes criminais. Elas devem responder ao processo em liberdade.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que as mulheres são conduzidas pelos policiais na Vila Olímpica. As imagens repercutiram e geraram ampla indignação entre atletas, familiares e internautas.

A mãe do menino relatou à polícia que as ofensas racistas desestabilizaram o filho emocionalmente, afetando seu desempenho na partida. A situação, segundo ela, expôs a criança a constrangimento e sofrimento diante dos colegas e demais torcedores.

Em nota, o Uberlândia Esporte Clube informou que apenas alugou o espaço da Vila Olímpica para o evento, que é de responsabilidade do organizador Wallisson Fortunato, e reforçou que repudia qualquer tipo de discriminação. A organização da Copa Uberlândia também se manifestou, declarando que o torneio “não compactua com práticas racistas” e que o esporte deve ser um ambiente de “respeito e inspiração, e não de intolerância”.

A escola Base, que contava com o apoio das torcedoras envolvidas no caso, anunciou a retirada de suas equipes da competição como forma de protesto. Em comunicado, afirmou que o comportamento das responsáveis é “inadmissível” e que trabalhará para promover um ambiente mais saudável às crianças.

A escola Cafu, onde o menino vítima das ofensas joga, foi procurada, mas não respondeu até a última atualização da reportagem.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deve ouvir novas testemunhas e reunir provas para o inquérito.