Programa beneficia 61 municípios de MG e GO e reforça papel estratégico do Cerrado na segurança hídrica nacional

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta quarta-feira (19), durante a COP30, o “Edital Águas do Paranaíba”, iniciativa que destina R$ 20 milhões para ações de restauração ecológica e revitalização da Bacia do Rio Paranaíba — área estratégica que abastece cidades e atividades agrícolas em Goiás e Minas Gerais. Os recursos serão divididos entre o BNDES e a Axia Energia, cada um aportando metade do valor.
O edital integra o programa Floresta Viva e terá impacto direto em 61 municípios, sendo 37 deles em Minas Gerais. A Bacia do Paranaíba é considerada uma das mais importantes rotas de recarga hídrica do Centro-Oeste e do Triângulo Mineiro, além de ser essencial para o abastecimento urbano e o desenvolvimento econômico da região.
MG ganha protagonismo na agenda de recuperação hídrica
Entre os objetivos da chamada pública estão a recomposição de matas ciliares, recuperação de áreas degradadas, melhoria da qualidade da água e fortalecimento de cadeias produtivas envolvidas na restauração florestal. O projeto também prevê capacitação de trabalhadores locais na coleta e produção de sementes, cultivo de mudas nativas, plantio e monitoramento — medidas que ampliam o envolvimento de comunidades rurais mineiras no processo de revitalização.
“A iniciativa reforça que o Cerrado tem papel estratégico na segurança hídrica do país. Só nos últimos dois anos e meio, o BNDES mobilizou R$ 7 bilhões para recuperação florestal no Brasil”, afirmou a diretora socioambiental do Banco, Tereza Campello. Ela destacou ainda que o Rio Paranaíba, que nasce em Minas Gerais, “é uma das principais veias d’água do Cerrado e exige investimentos consistentes”.
Quem pode participar
Podem se inscrever instituições sem fins lucrativos, como associações civis, fundações, institutos, fóruns e movimentos, além de cooperativas com pelo menos dois anos de constituição. A seleção dará prioridade a projetos alinhados a políticas públicas de recuperação da vegetação nativa e que envolvam diretamente comunidades ribeirinhas, povos tradicionais e produtores rurais.
A decisão final ficará sob responsabilidade do Comitê Gestor da CPR-Furnas, composto por representantes do Ministério do Meio Ambiente, Ministério de Minas e Energia e Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. Para Giuseppe Serra Seca Vieira, secretário-executivo da CPR-Furnas, o edital está fortemente alinhado ao Programa Nacional de Revitalização de Bacias Hidrográficas. “A proposta amplia alternativas de restauração e reforça a resiliência hídrica do país”, disse.
Axia Energia reforça foco em Minas Gerais
Corresponsável pelo financiamento da iniciativa, a Axia Energia busca ampliar ações socioambientais em áreas onde mantém operações. A empresa é responsável por 17% da geração nacional de energia e por 37% das linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional.
“Ao unir esforços com o Novo PAC e o BNDES, ampliamos a escala da restauração ecológica em uma região crítica para a segurança hídrica. Recuperar áreas nativas melhora o solo, fortalece nascentes e amplia a recarga dos aquíferos”, afirmou o vice-presidente Rodrigo Limp.
Floresta Viva avança e projeta nova fase em 2025
O programa Floresta Viva já mobilizou cerca de R$ 470 milhões desde 2021. A próxima etapa, prevista para 2025, expandirá a atuação para os biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica, com aporte inicial de R$ 100 milhões.
Na Cúpula dos Líderes da COP30, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que os investimentos em florestas desde 2023 somam R$ 7 bilhões, o maior volume da história da instituição. Entre os resultados apresentados estão 168 mil hectares restaurados e 54 milhões de toneladas de CO₂e capturadas.











