Estudo aponta Uberlândia entre as cidades com mais irregularidades no diesel em Minas Gerais

Levantamento nacional do Instituto Combustível Legal identificou falhas na qualidade do combustível e acendeu alerta para consumidores do Triângulo Mineiro

(Foto: Reprodução / Zap Catalão)

Um estudo recente do Instituto Combustível Legal (ICL) acendeu um alerta para motoristas de Uberlândia. A análise apontou que o município do Triângulo Mineiro está entre as cidades mineiras com maior número de irregularidades no diesel, cenário que levanta preocupações sobre a qualidade do combustível comercializado e os impactos diretos para consumidores, veículos e o meio ambiente.

O levantamento nacional avaliou mais de 3 mil amostras de combustíveis em 14 estados brasileiros, com o objetivo de mapear fraudes volumétricas e problemas de qualidade. De acordo com os dados do ICL, Minas Gerais ocupa a quarta posição entre os estados com maior número de registros de irregularidades no diesel. Dentro desse contexto, Uberlândia e Montes Claros aparecem como os municípios com mais ocorrências no território mineiro.

Para a realização do estudo, o instituto utilizou o método conhecido como “Cliente Misterioso”, no qual veículos descaracterizados coletam amostras diretamente nas bombas dos postos para posterior análise em laboratório. No caso do diesel, as principais falhas identificadas estão relacionadas ao baixo teor de biocombustível, o que compromete o desempenho dos motores, aumenta a emissão de poluentes e provoca danos ambientais.

O cenário das fraudes em Minas Gerais vai além do diesel. Embora o Paraná lidere o ranking nacional de fraudes volumétricas, popularmente conhecidas como “bomba baixa”, Minas chama atenção pela recorrência de problemas na qualidade dos combustíveis. O estado também aparece em quarto lugar no número de irregularidades envolvendo gasolina e etanol.

Nesse recorte, Belo Horizonte e Contagem concentram a maior quantidade de ocorrências. Do total de 3.210 amostras analisadas em todo o país, 888 apresentaram algum tipo de irregularidade, o que representa cerca de 28% do material coletado.

Além do prejuízo financeiro ao consumidor, o estudo reforça que as fraudes no setor de combustíveis têm desdobramentos mais amplos. Em agosto de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, que revelou o uso do setor por facções criminosas para esquemas de lavagem de dinheiro. As investigações apontaram a participação de fintechs e fundos de investimento, resultando na prisão de representantes do setor financeiro em novembro do mesmo ano.

O caso evidencia a complexidade e a gravidade das irregularidades na cadeia de distribuição de combustíveis no Brasil, que afetam não apenas o bolso do consumidor, mas também a segurança econômica, ambiental e institucional do país.