Corpo de corretora ass@ss!nad@ em Caldas Novas chega a Uberlândia para velório e sepultamento

Daiane Alves Souza, de 43 anos, ficou mais de um mês desaparecida; investigações apontam síndico do prédio onde morava como autor do crime

(Foto: Reprodução)

O corpo da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, assassinada em Caldas Novas, no Sul de Goiás, chegou a Uberlândia na manhã desta quarta-feira (4), após ser liberado pelo Instituto Médico Legal de Goiânia na noite de terça-feira (3). O velório, aberto ao público, está previsto para começar a partir das 13h no Cemitério e Crematório Parque dos Buritis, onde o sepultamento será realizado às 17h.

Daiane permaneceu por sete dias em Goiânia, onde passou por uma série de exames periciais para o esclarecimento das circunstâncias da morte. Segundo a Polícia Civil, devido ao avançado estado de decomposição do corpo, a identificação só foi possível por meio de exame de DNA extraído dos dentes. Pelo mesmo motivo, o caixão permanecerá fechado durante o velório em Uberlândia.

A corretora morava em Goiás havia cerca de dois anos, a trabalho. Ela era responsável pela administração de imóveis da família destinados à locação em Caldas Novas. Daiane estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro de 2025, quando foi vista pela última vez nas dependências do condomínio onde residia.

O corpo foi localizado em uma área de mata, a aproximadamente 15 quilômetros de Caldas Novas, após mais de um mês de buscas. Conforme a Polícia Civil, o cadáver já se encontrava em estado avançado de decomposição no momento em que foi encontrado.

As investigações apontam como principais suspeitos o síndico do prédio onde Daiane possuía apartamentos, Cléber Rosa de Oliveira, e o filho dele, Maikon Douglas de Oliveira, ambos presos. A principal linha de apuração indica que o crime teria sido motivado por conflitos relacionados à administração dos imóveis da família da vítima. Segundo a polícia, existem ao menos 12 processos judiciais envolvendo Daiane e o síndico, além de relatos de desentendimentos frequentes entre os dois.

De acordo com a mãe da vítima, Nilse Alves, amigos e familiares devem prestar uma homenagem a Daiane antes do sepultamento. O irmão da corretora, Arnaldo Alves Souza, esteve em Goiânia para realizar a liberação do corpo e acompanhar os trâmites legais. Ele afirmou que o sofrimento da família é irreparável e reforçou o pedido por justiça. Segundo Arnaldo, o atestado de óbito emitido pelo IML aponta que a causa da morte foi homicídio provocado por disparo de arma de fogo, que atingiu a cabeça da vítima.

Apesar da dor, o irmão afirmou sentir alívio por finalmente saber o que aconteceu com Daiane. Ele destacou estar satisfeito com o trabalho das forças de segurança e afirmou que a família agora busca seguir em frente, cobrando a responsabilização dos envolvidos.

Segundo a Polícia Civil, Cléber Rosa de Oliveira foi preso no dia 28 de janeiro, quando confessou ter matado Daiane após uma discussão no subsolo do prédio. O filho dele, Maicon Douglas, também foi preso, suspeito de auxiliar na ocultação de provas, incluindo a compra de um novo aparelho celular. Após a confissão, Cléber indicou à polícia o local onde o corpo havia sido abandonado, em uma região de mata em Ipameri, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas.

Antes da confissão do crime, Cléber já havia sido denunciado pelo Ministério Público pelo crime de perseguição reiterada, conhecido como stalking, praticado contra Daiane entre fevereiro e novembro de 2025. De acordo com a denúncia, ele teria utilizado a posição de síndico para monitorar a corretora por meio de câmeras do condomínio, além de praticar ameaças, agressões verbais e constrangimentos que atingiram a liberdade, a privacidade e a integridade psicológica da vítima.

Daiane também chegou a ser denunciada pelo Ministério Público por invasão de domicílio, após entrar sem autorização na sala administrativa do síndico. A defesa da corretora sempre refutou a acusação, afirmando que a denúncia omite a realidade dos fatos.

A defesa de Cléber Rosa de Oliveira informou que os fatos ainda estão sendo apurados e que o acusado aguarda audiência de custódia, reiterando o compromisso de colaborar com as autoridades. Já os advogados de Maicon Douglas de Oliveira afirmaram que ele não teve qualquer participação no crime e que estão adotando medidas para restabelecer sua liberdade.

Descrita por amigos e familiares como uma pessoa alegre, determinada e companheira, Daiane deixa uma filha de 17 anos. Pessoas próximas relatam que a jovem era o grande orgulho da corretora, que sonhava em ser mãe novamente. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás.