Motorista suspeito de cometer estupro de vulnerável foi preso após operação policial; vítima teria sido convencida por amigos virtuais a viajar sem autorização da família

Uma adolescente de 13 anos foi localizada em Uberlândia após sair de São Paulo sem autorização dos pais para encontrar dois amigos que conheceu pela internet. Durante o trajeto até a cidade mineira, a jovem relatou à polícia que foi vítima de abuso sexual cometido pelo motorista do veículo e que também foi obrigada a ingerir bebida alcoólica.
O caso foi registrado no último sábado (7) como estupro de vulnerável. De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, as equipes foram acionadas após informações sobre o desaparecimento da menor. Durante as diligências, os policiais entraram em contato com o pai da adolescente, que relatou que a filha havia saído de casa sem permissão e que poderia estar em uma residência no bairro Shopping Park.
Ao chegarem ao endereço indicado, os militares localizaram a adolescente. Em depoimento, ela contou que conheceu um casal de amigos pela internet, ambos menores de idade, e que foi incentivada por uma amiga virtual a viajar até Uberlândia para conhecê-los pessoalmente.
Segundo o relato, a viagem foi organizada por meio de um aplicativo de caronas. A corrida indicava como motorista uma pessoa identificada como “Mirian”, que conduziria um veículo modelo Logan de cor cinza. No entanto, quem compareceu ao local foi um homem identificado como Gustavo Victor da Silva, de 27 anos. A adolescente informou ainda que havia outro passageiro no carro, que dormiu durante grande parte do trajeto e não teria presenciado o crime.
De acordo com a vítima, durante a viagem o motorista passou a mão nas pernas e nas partes íntimas dela. A menina relatou que acabou cedendo às investidas por medo de sofrer algo pior. O suspeito também teria obrigado a adolescente a tocar em seu órgão genital e enviado mensagens pedindo que ela praticasse sexo oral em troca de pagamento.
A jovem também afirmou que, durante uma parada em um posto de combustíveis, o motorista comprou bebida alcoólica e a obrigou a consumir.
O conselheiro tutelar Daniel Negrão, que acompanha o caso, afirmou que a adolescente foi convencida a viajar após conversas nas redes sociais com dois adolescentes moradores de Uberlândia. Segundo ele, os jovens criaram uma conta no aplicativo de caronas e pagaram cerca de R$ 50 pela viagem, cujo valor total seria de aproximadamente R$ 190.
Para o conselheiro, a situação poderia ter terminado de forma ainda mais grave. Ele destacou que, já próximo de chegar a Uberlândia, um dos adolescentes teria enviado um áudio ao motorista afirmando que estava monitorando a viagem, o que possivelmente fez com que o suspeito desistisse de continuar os abusos.
Ao chegar à cidade, a adolescente foi deixada em um local diferente do ponto indicado no aplicativo. Segundo o relato dela à polícia, o encontro seria na antiga Estação Ferroviária, no bairro Custódio Pereira. Sem saber exatamente onde estava, a menina pediu ajuda a um desconhecido, que a deixou na Rua Piauí. A partir daí, ela conseguiu entrar em contato com os amigos virtuais.
Na casa de um deles, os moradores informaram à polícia que o filho pediu autorização para que a adolescente permanecesse no imóvel, o que foi permitido pela família. A jovem chegou ao local por volta das 7h.
Após ouvirem o relato, os policiais encaminharam a vítima para atendimento no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, onde ela recebeu acompanhamento médico e psicológico. O Conselho Tutelar também foi acionado e manteve contato com os familiares para que a adolescente fosse buscada.
O suspeito foi localizado e preso durante uma operação policial realizada na BR-070, no município de Águas Lindas de Goiás. Segundo a polícia, ele possui diversas passagens criminais, incluindo registros por ameaça, porte ilegal de arma, roubo e homicídio.
Além do crime de estupro de vulnerável, o homem também pode responder por sequestro. A Polícia Civil de Minas Gerais informou que aguarda o laudo médico da vítima para avançar na investigação.
A ocorrência foi registrada na Delegacia de Plantão de Uberlândia, e a definição sobre qual unidade ficará responsável pela apuração do caso













