Menino teve até 22 episódios de diarreia em um dia; médicos apontam virose e especialistas alertam para riscos em parques aquáticos

Um menino de 2 anos precisou ser internado em uma unidade de saúde de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, após apresentar um quadro severo de desidratação decorrente de uma infecção intestinal. O caso ocorreu depois de uma viagem em família a Caldas Novas (GO) e foi divulgado pelo portal VivaBem UOL.
Ravi viajava com os pais, a influenciadora Jessica Inácio de Souza de Almeida, de 28 anos, e o empresário Thiago Augusto Domingos de Almeida, de 33, além da irmã de 10 anos. Entre os dias 4 e 6 deste mês, a família visitou dois parques aquáticos no principal destino turístico do sul de Goiás.
Os primeiros sintomas surgiram na terceira noite da viagem. Inicialmente, a filha mais velha apresentou vômitos e diarreia, mas se recuperou rapidamente. Já Ravi evoluiu com piora progressiva e chegou a registrar 22 episódios de diarreia em um único dia, segundo relato da mãe.
Ainda em Goiás, a família buscou atendimento médico. O menino recebeu soro intravenoso e foi liberado sem a realização de exames laboratoriais. De acordo com Jessica, a equipe informou que havia aumento no número de turistas com sintomas semelhantes na região.
Sem melhora clínica, os pais decidiram antecipar o retorno para Araquari (SC), onde residem. Durante o trajeto, fizeram uma parada em Uberlândia para procurar nova assistência médica. Na cidade mineira, Ravi passou por exames e recebeu medicação, mas o agravamento do quadro levou à decisão de internação.
O menino foi transferido para um hospital infantil e colocado em isolamento. Ele permaneceu internado por quatro dias. A desidratação dificultou o acesso venoso, provocando o rompimento frequente das veias durante a administração de soro. “Ele gritava ‘dodói, dodói’. Teve vezes em que o braço inchou tanto que parecia uma bola”, relatou a mãe.
O diagnóstico confirmou uma virose que evoluiu para infecção intestinal. A melhora ocorreu após ajustes na medicação e na alimentação. Atualmente, quase duas semanas depois do início dos sintomas, Ravi segue em recuperação em Santa Catarina, ainda com episódios leves e uso de probióticos.
Jessica criticou a qualidade da água dos parques visitados, que classificou como “estranha” e “suja”. “A gente mora no litoral e sabe que existe virose em praia, mas nunca imaginou que isso pudesse acontecer em parque aquático”, afirmou.
Especialistas alertam para riscos em alta temporada
De acordo com infectologistas, a aglomeração em parques aquáticos durante períodos de alta temporada aumenta significativamente o risco de transmissão de viroses gastrointestinais. Alexandre Naime, da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que a circulação de pessoas de diferentes regiões favorece a disseminação de vírus, sobretudo entre crianças pequenas, mais vulneráveis e com hábitos de higiene ainda em formação.
Leonardo Weissmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas, destaca que a transmissão não ocorre apenas pela ingestão da água. Superfícies compartilhadas, como boias, corrimãos e trocadores, podem manter vírus como rotavírus e norovírus ativos por dias.
“A água das piscinas também pode atuar como via de transmissão caso haja contaminação fecal, ainda que microscópica”, afirma.
Entre as principais recomendações para reduzir os riscos estão a higienização frequente das mãos, evitar que crianças engulam água das piscinas, não frequentar áreas de banho em caso de diarreia e manter a vacinação em dia, especialmente contra o rotavírus.
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