Catalão acompanha expansão da alhicultura e Goiás se consolida como potência nacional na produção de alho

Estado ocupa a segunda posição no ranking brasileiro, registra recorde histórico em valor de produção e amplia competitividade com tecnologia e industrialização

Goiás se destaca entre os maiores produtores de alho e importa menos que o restante do país (Foto: Wenderson Araujo)

Goiás segue se destacando no cenário nacional da alhicultura e ocupa a segunda colocação do país em produção e área colhida de alho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esse avanço também se reflete no sudeste goiano, onde Catalão vem ganhando protagonismo e quase dobrou sua produção em 2024, acompanhando o crescimento expressivo do setor no estado.

O protagonismo goiano tem em Cristalina seu principal símbolo. O município é o segundo maior produtor de alho do Brasil, detém a maior área colhida do país e, de acordo com o IBGE, respondeu por 66,2% de toda a produção estadual em 2024. No ranking de rendimento médio das lavouras, Padre Bernardo e Ipameri lideram nacionalmente, com produtividades de 20,0 e 18,1 toneladas por hectare, respectivamente.

Outros municípios também apresentaram desempenho relevante. Luziânia registrou o maior crescimento da atividade em relação a 2023, seguido por Catalão, que apresentou uma das maiores evoluções percentuais do estado no último ano. Atualmente, a alhicultura está presente em apenas 10 municípios goianos, cenário que evidencia um potencial significativo de expansão e a possibilidade de ampliação da participação de Goiás na produção nacional.

Nos últimos dez anos, entre 2015 e 2024, a produção de alho em Goiás cresceu 57,6%, enquanto a área plantada avançou 64,0% e o valor da produção teve aumento expressivo de 210,1%. A produtividade oscilou ao longo do período, com variações entre 12,6 e 16,9 toneladas por hectare, registrando recorde em 2022, quando o estado colheu 58,4 mil toneladas, com rendimento médio de 17,0 t/ha. Já em 2024, o valor da produção atingiu R$ 738,8 milhões, crescimento de 31,6% em relação ao ano anterior e o maior já registrado na série histórica.

De acordo com a análise da Inteligência de Mercado Agropecuário da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, os resultados refletem ganhos de eficiência em toda a cadeia produtiva, especialmente nas etapas de industrialização, conservação e processamento do alho. Para o titular da Seapa, Pedro Leonardo Rezende, o avanço da cultura é fruto direto dos investimentos realizados pelos produtores e da segurança proporcionada pelas políticas públicas voltadas ao agronegócio.

A industrialização tem papel estratégico nesse cenário. Em Goiás, o alho é comercializado em diversas formas, como conserva, pasta, desidratado, em pó e em flocos. O uso de técnicas de conservação agrega valor ao produto, amplia sua durabilidade e facilita a comercialização, além de funcionar como um mecanismo regulador do mercado. A estratégia permite aproveitar a oferta no período de colheita para processamento e venda na entressafra, reduzindo perdas, minimizando oscilações de preços e garantindo maior estabilidade e incentivo ao produtor.

Mesmo diante da alta demanda interna, Goiás se mantém como o estado com menor dependência de importações no país. Em 2024, o Brasil importou 145,5 mil toneladas de alho, enquanto Goiás adquiriu apenas 25,2 toneladas da Argentina, reforçando sua competitividade no mercado nacional.

Os dados integram a 75ª edição do Agro em Dados, informativo mensal da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, que neste mês destaca o desempenho da produção de alho no estado e o papel de municípios como Catalão no fortalecimento de Goiás como um dos principais polos produtores do Brasil.