El Niño retorna ao Pacífico e pode ganhar força nos próximos meses, aponta monitoramento climático

Fenômeno já está oficialmente configurado e pode provocar temperaturas acima da média, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de calor em Goiás e no Centro-Oeste

(Foto: IA/Repeodução)

O fenômeno climático El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e deverá ganhar intensidade ao longo dos próximos meses, podendo atingir níveis fortes durante a primavera austral de 2026. A informação foi confirmada pelo Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), em atualização divulgada na última quinta-feira (11).

A nova análise reforça alertas emitidos por diversos centros meteorológicos internacionais, entre eles a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o Centro Climático da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APCC), o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), o Departamento de Meteorologia da Austrália (BoM) e a Organização Meteorológica Mundial (WMO). No Brasil, a tendência também vem sendo acompanhada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

De acordo com os dados mais recentes de monitoramento, o índice Niño 3.4 registrou anomalia de +0,7°C na primeira semana de junho, valor suficiente para caracterizar oficialmente a presença do El Niño.

Outras regiões do Pacífico Equatorial apresentaram aquecimento ainda mais significativo. A região Niño 4 registrou anomalia de +0,7°C, a região Niño 3 alcançou +1,0°C e a região Niño 1+2 chegou a +2,1°C, indicando avanço do aquecimento das águas superficiais e fortalecimento gradual do fenômeno.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera os padrões de circulação atmosférica em várias partes do mundo, influenciando diretamente o comportamento das chuvas, das temperaturas e a ocorrência de eventos climáticos extremos.

No Brasil, os impactos variam conforme a região. Historicamente, episódios de El Niño costumam favorecer o aumento das chuvas na Região Sul, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem registrar redução das precipitações.

Já no Centro-Oeste e Sudeste, os efeitos geralmente estão relacionados a mudanças na distribuição das chuvas e temperaturas acima da média histórica.

Reflexos para Goiás

Segundo especialistas, caso o fenômeno evolua para intensidade moderada ou forte, Goiás e os demais estados do Centro-Oeste poderão enfrentar um período de temperaturas mais elevadas durante a estação seca e o início da primavera.

Também existe a possibilidade de alterações no início da estação chuvosa, além de episódios mais prolongados de calor intenso e baixa umidade relativa do ar, condições que aumentam os riscos de queimadas e problemas respiratórios.

O professor Rafael de Ávila Rodrigues, do Laboratório de Climatologia do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), destaca que o acompanhamento contínuo das condições oceânicas será fundamental para entender a evolução do fenômeno e seus impactos na região.

Monitoramento continuará nos próximos meses

Os principais centros meteorológicos do mundo seguirão monitorando as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial. As próximas atualizações serão decisivas para confirmar a intensidade do fenômeno e seus possíveis reflexos sobre o clima da América do Sul.

A expectativa atual é de que o El Niño permaneça ativo durante todo o segundo semestre de 2026, tornando-se um dos principais fatores de influência sobre as condições climáticas globais e regionais nos próximos meses.

Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Laboratório de Climatologia IGEO/UFCAT.