Gastos do governo federal com cargos comissionados quase triplicam desde 2019

Montante passou de R$ 564 milhões para mais de R$ 1,6 bilhão; número de servidores em funções de confiança também cresceu

Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Reprodução)

Os gastos do governo federal com agentes públicos que ocupam cargos ou funções comissionadas registraram um salto significativo nos últimos seis anos. De acordo com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação e levantados pelo R7 Planalto, o valor desembolsado mais que dobrou entre 2019 e 2024, chegando a um aumento de 181% no período.

Em 2019, o gasto anual era de R$ 564,5 milhões. Já em 2024, o montante ultrapassou R$ 1,6 bilhão. Até outubro de 2025, o valor já soma R$ 1,58 bilhão, o que indica que o ano deve encerrar novamente acima da marca de R$ 1,6 bilhão.

Crescimento ano a ano

A evolução dos gastos mostra uma alta contínua, com saltos expressivos a partir de 2022:

  • 2019: R$ 564.550.020,41
  • 2020: R$ 728.722.441,19
  • 2021: R$ 759.395.680,98
  • 2022: R$ 981.703.104,79
  • 2023: R$ 1.421.304.817,65
  • 2024: R$ 1.628.568.380,29
  • 2025: R$ 1.589.364.854,64 (até outubro)

Segundo o levantamento, parte desse aumento acompanha a ampliação no número de cargos comissionados dentro da administração pública federal. Em 2019, eram 31,8 mil pessoas nessa categoria. Em 2025, o número já ultrapassa 50 mil.

Expansão dos cargos de confiança

O crescimento acelerado dos chamados cargos de confiança também foi registrado ano a ano:

  • 2019: 31.805 cargos
  • 2020: 32.267 cargos
  • 2021: 32.965 cargos
  • 2022: 46.259 cargos
  • 2023: 47.726 cargos
  • 2024: 49.421 cargos
  • 2025: 50.124 cargos

O aumento mais brusco ocorreu entre 2021 e 2022, com a criação de mais de 13 mil posições comissionadas em um único ano.

O que são cargos comissionados

Os cargos comissionados são funções públicas de livre nomeação e exoneração, ou seja, podem ser ocupados por qualquer pessoa indicada pelo governo, sem necessidade de aprovação em concurso público. Tradicionalmente, essas vagas são usadas para funções de chefia, direção e assessoramento — e também servem como instrumento político, já que podem ser distribuídas a aliados e partidos da base governista.

O crescimento do número de cargos e dos gastos associados reacende o debate sobre transparência, eficiência e critérios de nomeação dentro da administração pública, especialmente em um cenário de controle fiscal e discussões sobre reforma administrativa.