Homem que matou ex após emboscada em Catalão é condenado a 36 anos de prisão por feminicídio

Márcio Martins de Deus foi condenado por matar a ex-esposa com dois tiros na cabeça em 2022, mesmo estando foragido; crime foi premeditado, com descumprimento de medida protetiva, e deixou dois filhos órfãos

Réu: Márcio Martins de Deus, de 44 anos (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

O Tribunal do Júri de Catalão, no sudeste de Goiás, condenou nesta quarta-feira (17) Márcio Martins de Deus, de 44 anos, a 36 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da ex-esposa, Deusirene Gonçalves da Silva Martins, de 37 anos. O crime aconteceu em setembro de 2022 e foi classificado como feminicídio qualificado, por motivo torpe, emboscada e em contexto de violência doméstica.

Segundo a sentença proferida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Catalão, Márcio premeditou o crime após o fim do relacionamento. Ele teria se escondido atrás de um contêiner na Avenida Engenheiro Levy da Rocha, no bairro Paineiras, e esperado a vítima, que seguia para o trabalho. Quando ela se aproximou, ele a abordou e atirou duas vezes em sua cabeça, causando a morte imediata no local.

A vítima havia se separado do réu cerca de 15 dias antes e estava protegida por medidas protetivas, que foram descumpridas. Testemunhas relataram ameaças anteriores por parte de Márcio, que chegou a estipular uma data para que Deusirene reatasse o relacionamento — sob ameaça de morte caso ela recusasse. Conforme a decisão judicial, esse comportamento evidenciou a premeditação e a frieza do acusado.

Vítima: Deusirene Gonçalves da Silva Martins, de 37 anos (Foto: Reprodução)

Os jurados reconheceram todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público, além da causa de aumento de pena prevista para casos em que o feminicídio ocorre com descumprimento de medidas protetivas. A Justiça também determinou que o réu indenize os filhos da vítima, dois menores de idade, no valor mínimo de R$ 60 mil por danos morais.

Márcio Martins de Deus está foragido desde o dia do crime. A sentença determinou a imediata execução da pena e a expedição do mandado de prisão, com validade até julho de 2045. Ele foi condenado também ao pagamento das custas processuais.

O julgamento representa um marco na luta contra a violência doméstica em Catalão. Familiares da vítima, que acompanharam o processo desde o início, aguardavam a decisão como forma de justiça após quase três anos do crime.