Perguntas pessoais em entrevistas de emprego podem ser discriminatórias e ilegais

Questionamentos sobre filhos, casamento, religião e outros aspectos da vida privada violam direitos constitucionais e podem ser denunciados, alerta advogada especializada em Direito do Trabalho.

Foto: Reprodução/Advogada Ana Paula

Durante um processo seletivo, é natural que o candidato se sinta pressionado a responder todo tipo de pergunta, mas é fundamental saber que existem limites legais que o empregador não pode ultrapassar.

De acordo com a advogada Ana Paula Pires de Araujo, perguntas sobre filhos, estado civil, orientação sexual, religião, uso de medicamentos, tatuagens ou preferências políticas são consideradas invasivas e discriminatórias, já que não têm relação com a capacidade técnica ou o desempenho profissional do candidato.

Esses questionamentos, além de constrangedores, podem configurar violação aos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade. Infelizmente, esse tipo de prática ainda recai com mais força sobre as mulheres, sendo muitas vezes usada como justificativa para a não contratação — uma discriminação de gênero velada que precisa ser combatida e denunciada.

O empregador deve avaliar competências, habilidades e experiências, e não aspectos da vida pessoal. Caso o candidato se sinta vítima de perguntas abusivas ou discriminatórias, é possível buscar orientação jurídica e denunciar a prática junto aos órgãos competentes, como o Ministério Público do Trabalho.

Ana Paula Pires de Araujo
Advogada – OAB/GO 61.596
Especialista em Direito do Trabalho e Previdenciário