“Semana de chuvas e os impactos na pulverização das lavouras”, por Gabriel Peixoto

Com atuação da ZCAS e volumes elevados de precipitação em Catalão, especialista analisa impactos logísticos na agricultura e aponta o uso de drones como alternativa estratégica para o produtor rural

Gabriel Peixoto é geógrafo, especialista em fertilidade e manejo de solos, e referência estadual no uso de drones na agricultura (Foto: Arquivo Pessoal)
Gabriel Peixoto é geógrafo, especialista em fertilidade e manejo de solos, e referência estadual no uso de drones na agricultura (Foto: Arquivo Pessoal)

A primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) de 2026 já provoca reflexos diretos no campo. Chuvas frequentes, acompanhadas de queda nas temperaturas, passaram a marcar a rotina dos produtores rurais da região Sudeste de Goiás, especialmente em Catalão, onde os acumulados de precipitação chamam a atenção neste início de ano.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação meteorológica automática instalada na Universidade Federal de Catalão (UFCAT) registrou cerca de 101 milímetros de chuva acumulada desde o início de janeiro. Já a estação convencional, localizada na Avenida Ricardo Paranhos, apontou 54,4 milímetros no mesmo período. A tendência, segundo os modelos meteorológicos, é de manutenção das chuvas ao longo do mês.

Para a agricultura, a chuva é sinônimo de recarga hídrica do solo, estímulo à produtividade e benefícios ambientais. No entanto, conforme explica o geógrafo e especialista em manejo de solos Gabriel Peixoto, o excesso de precipitação também acende um alerta para a logística da safra, especialmente no que diz respeito à pulverização, ao escoamento da produção e ao transporte de insumos.

“O que temos observado é um cenário bastante heterogêneo nas lavouras, reflexo das oscilações de chuva em novembro e dezembro. Muitos produtores lidam hoje com talhões em estágios fenológicos distintos, principalmente aqueles que plantaram em datas diferentes ou possuem glebas separadas”, explica o especialista.

Esse descompasso entre áreas cultivadas aumenta a pressão sobre a pulverização, uma operação que, nesta época do ano, já enfrenta gargalos naturais. A alta demanda por maquinário, mão de obra e serviços terceirizados faz com que, em determinados momentos, o produtor tenha necessidade de aplicar defensivos, mas não encontre equipamentos disponíveis.

Além disso, as janelas ideais para pulverização ficam mais curtas. Mesmo quando a chuva cessa, o solo encharcado pode impedir o acesso de máquinas tratorizadas às áreas cultivadas, comprometendo o manejo fitossanitário no momento correto.

Nesse contexto, a pulverização por drones surge como uma alternativa viável e cada vez mais estratégica. Segundo Gabriel Peixoto, o método apresenta vantagens importantes justamente em períodos chuvosos. “O drone não depende das condições do solo para operar, tem facilidade de transporte entre áreas — uma caminhonete já é suficiente —, menor custo de aquisição em comparação a grandes máquinas e não provoca amassamento da lavoura, o que impacta positivamente na produtividade”, destaca.

Outro ponto relevante é a eficiência operacional. O consumo de combustível se restringe basicamente ao funcionamento do gerador para carregamento das baterias, além da rapidez na mobilização entre talhões com diferentes necessidades de manejo.

“O drone não vem para substituir a pulverização tratorizada, mas para complementar. Ele amplia o leque de opções do produtor rural, permitindo decisões mais assertivas diante de condições climáticas adversas”, reforça.

Gabriel Peixoto é geógrafo, especialista em fertilidade e manejo de solos, e referência estadual no uso de drones na agricultura. Mais informações sobre pulverização aérea e consultorias técnicas podem ser obtidas pelo telefone (64) 99338-3163 ou pelo Instagram @gabriel.peixoto.go.