Operação “Tratamento Fantasma” apura fraudes em programa de auxílio a pacientes; verbas eram usadas para compra de joias e serviços particulares

Uma servidora pública da Prefeitura de Uberlândia, cujo nome não foi divulgado, é suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de verbas públicas do programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde. A denúncia levou à deflagração da Operação Tratamento Fantasma, realizada nesta segunda-feira (14) pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio das polícias Civil e Militar.
Segundo o MPMG, o grupo criminoso atuava no esquema há pelo menos três anos, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 6,5 milhões aos cofres públicos. A fraude envolvia a criação de procedimentos médicos falsos, com uso de nomes de pessoas que não necessitavam de tratamento e nem sabiam da existência dos registros — os chamados “laranjas”.
Esses falsos pacientes eram cadastrados no sistema do TFD, programa do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece transporte, hospedagem e auxílio financeiro a pacientes que precisam de atendimento fora do município de origem. Com documentos fraudados, o grupo conseguia que valores fossem depositados em contas bancárias vinculadas ao esquema.
Em depoimentos ao Ministério Público, diversos “beneficiários” afirmaram que não tinham qualquer doença e desconheciam as movimentações feitas em seus nomes. Parte dos valores desviados era usada na compra de joias e contratação de serviços particulares. O restante era devolvido à servidora investigada e a outros integrantes da quadrilha.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além de quebra de sigilo telefônico e de dados. Bens dos envolvidos também foram tornados indisponíveis por determinação judicial.
Resposta da Prefeitura
Em nota oficial, a Prefeitura de Uberlândia informou que a atual gestão tomou conhecimento do caso no início de 2025 e, desde então, acionou seus órgãos de controle e o próprio Ministério Público. A administração também instaurou sindicâncias, processo administrativo disciplinar e auditorias para revisar as circunstâncias relatadas nos últimos três anos.
A prefeitura reforçou que colabora com as investigações e que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas para responsabilização dos envolvidos e recuperação dos valores desviados.













