
Esse último fim de semana foi daqueles que vão ficar na memória. No sábado, iniciei minha caminhada fotográfica no terno de Congo Santa Terezinha, que recebeu a visita do Moçambique Mamãe do Rosário. O fim de tarde estava lindo, a luz ajudava e a emoção tomava conta de todos. O terço foi marcado por lembranças de pessoas queridas que o terno perdeu nos últimos tempos, e isso trouxe um clima forte, de saudade e reverência. A fé se misturava com a música, os cantos, a devoção, e eu pude sentir o quanto aquele momento tocava a todos que estavam presentes.
De lá, segui para a Vila Mutirão e registrei o terno Catupé Vinho. Eles estavam finalizando o terço e pude fotografar a saída, um instante de muita energia, com os dançadores firmes e cheios de vida, tudo com muita intensidade. Foi daqueles momentos em que a fotografia parece não dar conta de tanta força coletiva.
A noite ainda me levou até o bairro Pontal Norte, onde acompanhei o terno Penacho. O ensaio reuniu integrantes, capitães e comunidade, fechando meu sábado com muita devoção e alegria. Ver a cidade pulsando em vários pontos ao mesmo tempo é sempre uma experiência única, e mostra o quanto a Congada é viva e presente no cotidiano de Catalão.
No domingo, vivi talvez o instante mais especial deste fim se semana: fotografei o ensaio do terno Catupé Amarelo. Esse terno tem um significado imenso na minha vida. Foi nele que dancei quando criança, que aprendi a viver a Congada de dentro, que conheci a força da fé e da cultura popular. Foi nele que me criei, que fiz amigos que carrego até hoje, meu filho dança e minha esposa participa. Voltar ali, agora com a câmera em mãos, sempre me emociona.
O ensaio foi grandioso. O Moçambique Mamãe do Rosário esteve presente para rezar o terço e participar do levantamento da bandeira. Fizemos um cortejo pelas ruas do bairro. As calçadas estavam cheias, muita gente acompanhando, o maior público de todos os ensaios até agora. A energia era impressionante, a cada passo parecia que o bairro inteiro dançava junto.
E no final, eu não resisti. A emoção falou mais alto e eu entrei no terno. Dancei como nos velhos tempos, rodeado de amigos, com o coração cheio de lembranças e alegria. Foi um daqueles momentos que misturam passado e presente, em que a fé, a cultura e a amizade se encontram e se transformam em celebração.
Fotografar é meu ofício, mas nesses dias foi muito mais do que isso: foi reviver, sentir e agradecer por fazer parte dessa história tão rica e tão viva que são as Congadas de Catalão.
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