Corpo da cantora foi velado no Theatro Municipal do Rio nesta sexta-feira (25) e seguiu em cortejo pelas ruas do Centro até o Cemitério da Penitência, sob aplausos de fãs e homenagens de autoridades.

O corpo da cantora Preta Gil foi velado nesta sexta-feira (25), no Theatro Municipal, no Centro do Rio de Janeiro, em uma cerimônia marcada pela emoção e pela presença maciça de familiares, amigos e fãs. O caixão claro ficou exposto no saguão principal do teatro e, como pedido da família, os mais próximos vestiram branco em sinal de paz e homenagem à artista.
Logo no início da tarde, por volta das 14h, a visitação foi encerrada ao público. Às 14h53, o caixão deixou o teatro sob aplausos e foi levado por um caminhão do Corpo de Bombeiros em cortejo até o Cemitério e Crematório da Penitência, no Caju. Um dos que carregaram o caixão foi o cantor Carlinhos Brown.
Gilberto Gil, pai da cantora, chegou ao local acompanhado da mãe de Preta, Sandra Gadelha, e da esposa, Flora Gil. Visivelmente emocionado, Gil beijou a testa da filha em uma das imagens mais tocantes da cerimônia.

O trajeto de cerca de 9 quilômetros até o cemitério foi feito em carro aberto, com escolta da Guarda Municipal e em ritmo lento. O cortejo passou pelo circuito dos megablocos no Centro, agora batizado com o nome de Preta em homenagem à sua importância para o carnaval de rua carioca.

Diversas autoridades estiveram presentes ou enviaram homenagens. A primeira-dama Janja Lula da Silva representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou uma coroa de flores. Ela esteve ao lado da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Desde as primeiras horas da manhã, fãs começaram a se aglomerar na Cinelândia para prestar a última homenagem à cantora. A prefeitura montou um esquema com grades para organizar o fluxo do público. O corpo chegou ao Theatro Municipal vindo do Cemitério da Penitência, onde foi cremado no fim da tarde.
Homenagens dos fãs

A cabeleireira Norma Maria Bessa Pacheco saiu de Curicica, na Zona Oeste, antes das 5h da manhã. Ela segurava um cartaz que chamava Preta de “guerreira” e também prestava homenagem a Gilberto Gil. “Sou fã de toda a família. Sempre ouvia no rádio”, disse.
A doméstica Teresa Marques dos Santos também madrugou para estar presente. “Ela era pura alegria. Os pais precisam sentir o carinho das pessoas. É o que podemos fazer. Deixa um grande legado”, afirmou.
O estudante Tiago da Silva Nascimento saiu de Maricá às 4h. “Ela representava a nossa causa, dos LGBTQIA+. Eu não era fã de carnaval, mas ela me conquistou. Preta dizia a verdade, era inspiração”, contou, emocionado.
Preta, símbolo da cultura brasileira
Preta Gil foi uma das maiores defensoras do carnaval de rua do Rio. Desde 2010, liderava o Bloco da Preta, que em 2017 reuniu mais de 500 mil pessoas no Centro com uma homenagem a Chacrinha.
“É o momento ápice do meu ano. Meu grande xodó”, afirmou a cantora em entrevista ao g1.
Filha de Gilberto Gil, sobrinha de Caetano Veloso e afilhada de Gal Costa, Preta deixou a publicidade para seguir carreira musical aos 29 anos. Seu álbum de estreia, Prêt-à-Porter, lançado em 2003, trazia o hit “Sinais de Fogo”, composto por Ana Carolina, e causou polêmica com uma capa em que aparecia nua.
“Meu pai disse que era desnecessário. Ele sabia o que eu enfrentaria”, relembrou a artista em entrevista a Pedro Bial.
Em 2005, lançou o álbum Preta, seguido por Noite Preta, que virou uma festa e percorreu o Brasil por sete anos. Depois, veio o show “Baile da Preta”, marcado pelo ecletismo musical. “Vai de MPB a Psirico”, dizia ela.
O último álbum, Todas as Cores, foi lançado em 2017 com participações de Pabllo Vittar, Marília Mendonça e Gal Costa. A canção “Botando a fila para andar”, de Ana Carolina, também fez parte do repertório.
Em 2021, gravou “Meu Xodó” com o filho Francisco, canção que, segundo ela, foi essencial durante um período difícil. “Ele me tirou do fundo do poço”, contou.
Preta também teve passagens pela TV, atuando em produções como As Cariocas, Ó Paí, Ó e Vai que Cola. Como empresária, fundou a agência Mynd, que cuidava da imagem de artistas como Luísa Sonza, Pabllo Vittar e Camilla de Lucas.
A cantora morreu no último domingo (20), em Nova York, em decorrência de um câncer. Ela tinha 49 anos. O Brasil se despede não só de uma artista, mas de um símbolo de liberdade, alegria e representatividade.











